O Conselho Nacional da Educação (Conae) estabeleceu a meta de 7% do PIB aplicados no setor educacional, em 2020. Hoje esse percentual significaria R$ 200 bilhões por ano.
Eu digo: é pouco. Em 2020, o percentual representará mais dinheiro em termos absolutos, mas ainda será pouco em proporção às necessidades da JUSTIÇA SOCIAL, distribuição da renda, indicadores de qualidade de vida. E os investimentos a serem feitos em 2020 surtirão efeito em 2035, 2040... É um bocado de tempo para esperar...
Sete por cento do PIB já seriam pouco hoje, mesmo que se destinassem apenas ao Ensino Fundamental e Médio. Os jovens brasileiros em idade escolar somam 45 milhões. R$ 200 bilhões por ano dariam R$ 370,00 por mês para cada aluno, e as universidades ficariam com nada.
R$ 370,00 mensais parece bastante, mas não é. Não chega a ser a mensalidade de um colégio particular minimamente decente, muito menos para um regime de período integral. Os alunos daquele colégio paulistano onde os alunos tiraram a melhor nota do ENEM de 2010 pagam mensalidades de R$ 3.500,00.
Para "nivelar por cima", destinando à educação de todo e qualquer jovem brasileiro R$ 3.500,00 mensais, a necessidade seria de R$ 150 bilhões POR MÊS, o triplo do que o governo gasta atualmente POR ANO em todos os seus programas educacionais. E vejam só... R$ 150 bilhões por mês representariam R$ 1,8 trilhão por ano, dois terços do PIB (2,8 trilhões), 80% acima de todo o orçamento federal (R$ 1 trilhão).
Tem alguma coisa errada nesses números: a generosidade com que os ricos são educados, e o pãodurismo com que tratamos os nossos alunos, professores e escolas públicas em geral. O governo federal gasta mais com juros (que os banqueiros e investidores recebem) do que com com escolas, universidades, cultura, esportes...
Não podemos portanto reclamar que nosso povo é pobre, que o emprego é difícil, o salário baixo, a mão-de-obra despreparada, que os jovens são incultos e descambam facilmente para a violência, que as drogas imperam, que o programa bolsa-família é um gasto enorme para o governo.
Os políticos são safados. Perdoem-me a generalização. Mas nós, pais, mães, empresários, funcionários públicos, todos nós adultos brasileiros (inclusive os que se acham mais espertos que seus compatriotas) somos despreparados, burros e violentos, miseráveis, porque descuidamos do futuro do nosso país, que está em nossos mãos construir.
Dinheiro não é tudo, e escola não é tudo o que nossos filhos e netos precisam para educar-se. Há coisas até mais importantes que isso, como por exemplo cuidar adequadamente de nossos filhos na primeira infância, para que não sejam ativados seus "genes da violência". Mas temos que pensar seriamente em nosso sistema educacional.
Quanto é justo desembolsar para educar as futuras gerações? Que futuro queremos para nossos filhos, netos, bisnetos? O mesmo que o nosso mundo atual, violento e injusto? Estará bom para eles o que temos hoje, para nós?
O que é mais importante: o “desenvolvimento” medido pelo PIB e pelo “padrão de consumo” ou a educação que devemos aos nossos filhos e netos?
(marcoamondini@gmail.com)