quarta-feira, 6 de abril de 2011

EDUCAÇÃO SEM MISÉRIAS !!! JÁ!


No correr do ano de 2010,  com a Lei nº 8035, o Conselho Nacional da Educação (Conae) estabeleceu a meta de 7% do PIB aplicados no setor educacional, em 2020. Hoje esse percentual significaria cerca de R$ 200 bilhões por ano. 
 
É pouco, em proporção às necessidades da JUSTIÇA SOCIAL e da DISTRIBUIÇÃO DA RENDA. 

Além disso, os principais efeitos dessa meta se concretizarão em 2030, 2040... muito tempo para esperar. Precisamos manter os pés no chão, mas não atolados no charco.   
 
Para um modelo de VERDADEIRA PRIORIDADE PARA A EDUCAÇÃO, sete por cento do PIB já seria pouco dinheiro hoje, mesmo que se destinassem apenas ao Ensino Fundamental e Médio. Os jovens brasileiros em idade escolar somam cerca de 45 milhões. Logo, R$ 200 bilhões por ano representariam R$ 370,00 por mês para cada aluno, e as universidades ficariam com nada, e precisaria que nada fosse desviado pelos canais da corrupção. Você conhece algum colégio particular de qualidade que sobrevive com mensalidades de R$ 370,00? 
 
R$ 370,00 mensais parece bastante, mas não é. Não chega a ser a mensalidade de um colégio particular minimamente decente, muito menos para um regime de período integral. 


Naquele colégio paulistano onde os alunos obtiveram a melhor nota do ENEM de 2010, os alunos pagam mensalidades de R$ 3.500,00. Se investíssemos esse valor mensal na educação de cada jovem brasileiro (45 milhões), precisaríamos de R$ 150 bilhões POR MÊS!... apenas para o ensino fundamental e médio. É o triplo do que o governo federal gasta atualmente POR ANO em todos os seus programas educacionais. E vejam só... R$ 150 bilhões por mês representariam R$ 1,8 trilhão por ano, dois terços do PIB (2,8 trilhões), quase duas vezes o orçamento federal (R$ 1 trilhão). 
 
Esses números nos mostram a generosidade com que os ricos são educados, e o pãodurismo com que tratamos os nossos alunos e professores de escolas públicas. O governo federal gasta mais com juros (que os banqueiros e investidores recebem) do que com com escolas, universidades, cultura, esportes... Não existe, portanto, uma prioridade para educação, nem no governo, nem na mentalidade do brasileiro. Existe apenas um investimento, mínimo aqui, máximo acolá, para formação de elites sociais.
Dinheiro não é tudo, e escola não é tudo o que nossos filhos e netos precisam para educar-se. Há coisas até mais importantes que a escola, como por exemplo cuidar adequadamente de nossas crianças na primeira infância, para que não sejam ativados seus "genes da violência". 

Sem dúvida precisamos raciocinar mais seriamente - e mais ousadamente - sobre nosso sistema educacional. Falta definirmos conscientemente quanto é justo desembolsar para educar as futuras gerações, que tipo de futuro desejamos para nossos filhos, netos, bisnetos, se nos importamos ou não que continue no futuro o nosso mundo atual, violento e injusto.

Políticos são genericamente safados. Mas nós – pais, mães, empresários, funcionários públicos – somos despreparados, burros, miseráveis, porque descuidamos do futuro do nosso país, que está em nossos mãos construir, na forma de gerações de pessoas melhor preparadas para a vida moderna. Pensar é preciso... sonhar e calcular também é preciso.

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